terça-feira, 21 de julho de 2009

Anomia e violência

Morte por bala perdida supera 2008
Casos extraoficiais chegam a 18 em 2009, contra 16 computados pelo ISP no ano passado
Terça, 21 de julho de 2009
Mario Hugo Monken
O número de pessoas mortas por balas perdidas no Estado do Rio de Janeiro este ano já supera o registrado oficialmente em todo o ano passado pela Secretaria de Segurança Pública.
Um levantamento feito pelo JB com base em casos que vieram a público revela que, em sete meses incompletos em 2009, houve pelo menos 18 vítimas fatais. Em 2008, o Instituto de Segurança Pública (ISP) informou 16 mortes.
A Secretaria de Segurança informou que só tem computados os números de janeiro a março, que indicam apenas três óbitos por balas perdidas.
A última vítima foi William Moreira da Silva, de 11 anos. Na tarde deste domingo, ele soltava pipa em uma fábrica no Morro do Chaves, em Barros Filho (subúrbio) quando foi atingido na cabeça. Moradores acusaram PMs de entrarem na favela atirando. A corporação nega. Ele foi a quarta morte só este mês.
Dos 18 casos computados pelo JB, sete deles se trataram de crianças ou adolescentes com menos de 15 anos. Uma destas vítimas, por exemplo, Marta Cristina da Silva, de 14 anos, estava grávida de quatro meses quando foi morta, em fevereiro, durante tiroteio no Engenho da Rainha.
Alguns casos continuam sem solução. Um deles é o da estudante Juliana Chaves Lins da Silva, de apenas 14 anos. No início de fevereiro, ela foi atingida na cabeça por um tiro de fuzil quando estava dentro da quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, em Ra mos. A investigação ainda não foi concluída mas policiais acreditam que não descobrirão a autoria.
Permanece indefinida também a morte da universitária Taiane Monteiro de Lima, 21 anos. Ela morreu em abril, após ser baleada quando estava em um churrasco na Saúde (zona portuária). A polícia informou que a bala teria vindo do Morro da Providência, mas os depoimentos não trouxeram nenhuma evidência sobre a autoria.
Para a socióloga Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), esse aumento no número de casos ocorre porque não existe uma cultura dentro da polícia de que o mais importante durante uma ação é proteger a vida e não de prender um criminoso.
– Os policiais vão ávidos para a rua combater o crime e esquecem que o mais importante é a vida. E, em sua maioria, são policiais de bem – opinou.
Silvia declarou que os bandidos são incontroláveis mas que, em relação aos policiais, há condições de controlar os excessos.
– Não há controle sobre os bandidos. As pessoas já sabem o que eles fazem. Já quanto aos policiais, há medo quando não estão e quando estão.
Dos 18 casos computados pelo JB, em ao menos sete, havia confrontos entre policiais e criminosos. Dezesseis mortes aconteceram na capital, uma em Volta Redonda e outra em São Gonçalo. No Rio, 13 foram nas Zona Norte e Oeste e três na região central da cidade.

sábado, 27 de junho de 2009

Darwin e o Darwinismo Social

Os 150 anos da Teoria da Evolução e 200 do nascimento de Darwin


O ano de 2009 é o de comemoração dos 150 anos da Teoria da Evolução das Espécies e os 200 anos de nascimento de Charles Darwin. A relação da sociologia e da antropologia com Darwin se deu na medida em que sua teoria da evolução foi transposta para análise da sociedade resultando no surgimento do Darwinismo Social. Abaixo um pequeno texto que descreve os princípios do Darwinismo Social.


Resumão/história - O darwinismo social


09/01/2001 - 09h19


RENAN GARCIA MIRANDA especial para a Folha de S.Paulo


A palavra "cientista" foi criada em 1840 pela Associação Britânica para o Progresso da Ciência. Nessa época, surgiram, em vários países, periódicos científicos. Era a popularização da ciência.


Em 1859, quando foi publicada "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, toda a edição foi vendida no primeiro dia. O princípio da seleção natural determina quais membros da espécie têm mais chance de sobrevivência. As crias não são reproduções idênticas de seus pais. Um leão pode ser ligeiramente mais rápido ou mais forte do que os pais; uma girafa pode desenvolver um pescoço mais comprido do que o dos pais.


A cada geração, a característica favorável torna-se mais pronunciada e mais difundida nas espécies. Com o passar dos séculos, a seleção natural elimina as espécies antigas e produz novas. Hoje sobrevivem ainda poucas espécies das que habitavam a Terra, havia 10 milhões de anos, mas apareceram muitas outras, entre elas os humanos. Os homens seriam produtos da seleção natural.


A Teoria da Evolução teve consequências revolucionárias fora da área científica. A evolução desafiou a tradicional crença religiosa de que um número fixo de espécies havia sido criado instantaneamente há cerca de 6.000 anos. Ao contrário, dizia Darwin, as várias espécies, até a humana, evoluíram gradativamente por milhões de anos e há ainda espécies novas em evolução.


Em última análise, o darwinismo ajudou a acabar com a prática de ter a Bíblia como referência em questões científicas. Darwin havia tirado dos homens o privilégio de terem sido a criação especial de Deus.


Alguns pensadores sociais aplicaram as conclusões darwinianas à ordem social, produzindo teorias que as transferiram à explicação dos problemas sociais. As expressões "luta pela existência" e "sobrevivência do mais capaz" foram tomadas de Darwin para apoiar a defesa que faziam do individualismo econômico.


Os empresários bem-sucedidos, afirmavam esses pensadores, haviam demonstrado sua capacidade de vitória no mundo competitivo dos negócios. Os que fracassavam na luta pela existência demonstravam sua incapacidade.


A aplicação da biologia de Darwin às teorias sociais fortalecia o imperialismo, o racismo, o nacionalismo e o militarismo. Os darwinistas sociais insistiam em que as nações e as raças estavam empenhadas numa luta pela sobrevivência, em que apenas o mais forte sobrevive e, na realidade, apenas o mais forte merece sobreviver.


Eles dividiam a humanidade em raças superiores e inferiores e consideravam o conflito racial e o nacional uma necessidade biológica e um meio para o progresso.


Renan Garcia Miranda é autor de "Oficina de História", Editora Moderna, e professor de história do Anglo


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Anomia

O Que Você Faria
Composição: Paulinho Moska/Billy Brandão


Meu amor
O que você faria
Se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você fariaIa manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria
Se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria pra um shooping center
Ou para uma academia?
Prá se esquecer que não dá tempo
O tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?
Meu amorO que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Trancanva da delegacia?
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Normal e o Patológico

Jovens morrem mais por homicídio e acidente de trânsito, aponta IBGE

LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
01/12/2008

A cada hora, aproximadamente nove pessoas morrem no Brasil por causa de homicídios ou acidentes de trânsito. Dessas, entre três e quatro são jovens com idades entre 20 e 29 anos, segundo cálculos baseados na pesquisa Tábuas da Vida, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta segunda-feira.
De acordo com o estudo, 76.730 brasileiros foram assassinados ou morreram em acidentes de trânsito em 2005, último ano de atualização dessas taxas pelo Ministério da Saúde. Deste total, cerca de 40% dos mortos tinham entre 20 e 29 anos.
Além de consideradas altas e graves pelo IBGE, as taxas de morte por homicídio e acidentes de trânsito vêm crescendo na última década. Em 1995, o instituto registrou cerca de 67 mil mortes do tipo. O número de jovens envolvidos nessas taxas já constitui "um fato incorporado à cultura do país", afirma o gerente de estudos e análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Juarez de Castro Oliveira.
De acordo com as estimativas de Oliveira, a morte precoce desses jovens representou, no conjunto da população, uma redução de 2,9 anos na expectativa de vida média do brasileiro, que em 2007 foi de 72,5 anos.
A taxa, segundo a pesquisa, aumentou 5,5 anos na comparação com o registrado em 1991. A pesquisa apontou também uma queda na taxa de mortalidade infantil, de 45,19 óbitos por cada mil nascimentos para 24,32 óbitos por mil nascimentos.
Apesar da queda, este número ainda está distante da chamada Meta do Milênio, da ONU (Organização das Nações Unidas), que estabeleceu uma taxa de mortalidade infantil de até 15 mortos a casa mil nascimentos em 2015.
A projeção do IBGE para aquele ano é que os índices brasileiros sejam de 18,2 mortos por mil nascimentos. Mas o coordenador do IBGE afirmou que a expectativa é que esse índice abaixe e se aproxime da meta da ONU após a realização do censo de 2010.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u473697.shtml

Violência: A questão do Normal e do Patológico

Brasil: uma guerra urbana
Segunda, 15 de junho de 2009 - Terra Magazine


O mito de país pacífico se confronta com as ruas, os medos, o cotidiano dos brasileiros. Uma constatação atravessa as diferentes bases de dados oficiais: o número de homicídios expõe uma guerra urbana invisível, quando muito exibida em sua face minúscula em sites, revistas, rádios, televisões e jornais. A cordialidade aparente do Brasil e das suas metrópoles não subsiste aos números da violência. Uma guerra por década. Uma só guerra por décadas.
Terra Magazine, a partir desta segunda, 15 de junho, contará as vidas esquecidas de dez brasileiros que não tiveram a chance de concluir desejos ínfimos. O extraordinário cotidiano de homens e mulheres comuns. Histórias finalizadas pela violência, quase sempre banal e mal revelada.
Estimativas sobre a base de dados do Ministério da Saúde - a partir dos atestados de óbitos - permitem afirmar que mais de um milhão de brasileiros foram assassinados desde 1979 no País. Em tempo: nos 11 anos da guerra encerrada em 1975, os EUA e seus aliados perderam 54 mil soldados - entre as estimadas 1 milhão a 1,5 milhão de vítimas no Vietnã.
Em três décadas de sua guerra nas ruas, o Brasil perdeu um milhão de homens e mulheres, quase sempre jovens. Para perder algo como 2 milhões de vidas em Angola, matou-se por quase quatro décadas, 38 anos, numa das mais ferozes guerras que o mundo já viu.
No Brasil, em 2007 e 2008, a média anual de homicídios girou em torno de 47 mil. De 1996 a 2006, ocorreram 505.945 mil assassinatos. Só em 2006, mais de 49 mil casos.
Outra radiografia, desta vez do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com uma metodologia diferente: dados da "Síntese de Indicadores do Sociais", de 2004, apontam 598.367 assassinatos entre 1980 e 2000. No mesmo período, o Brasil registrou mais de 2 milhões de mortes por causas externas e, a maioria delas, 82%, foram de homens.
Se nos anos 80 os acidentes de trânsito eram a principal causa externa dos óbitos masculinos, na década de 90, os homicídios assumiram a liderança. Mudou o perfil da mortalidade no país. Em vinte anos, o índice de mortalidade por homicídio cresceu 130%.
Em 2004, a partir da política de desarmamento nacional e da adoção de políticas públicas, os números começam a ser freados. As estatísticas dos homicídios caíram para 48.374, a primeira queda no ritmo de crescimento desde 1990.
Vale lembrar que, desde então, a proibição de porte de armas de fogo sem registro oficial passou a vigorar no Brasil. Em 2005, 59% dos brasileiros, em referendo, apoiaram o comércio de armas de fogo e munição no Brasil.
Outras medidas, como a restrição do horário de funcionamento de bares, a criação de equipamentos sociais e a capacitação das polícias estaduais - apesar dos excessos ainda registrados - também influenciaram na redução.
A tendência de queda nos homicídios continuou em 2005 e 2006 em todo o país - 47.578 e 46.660, respectivamente. A redução não foi suficiente para retirar o Brasil do grupo de países que estão acima da média mundial de assassinatos.
De acordo com o último relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, divulgado em 2008, o Brasil tem mais do que o dobro da taxa média de homicídios no mundo.
O país chega a 25 homicídios por 100 mil habitantes - dados referentes a 2006 - contra a média de 8,8 no mundo - dados de 2000, o último cálculo oficial da Organização Muncial de Saúde. A comparação não leva em conta as mortes em guerras.
Em 2006, a cidade de São Paulo ainda mantinha em números absolutos a liderança por mortes violentas, seguida pelo Rio de Janeiro. Recife, porém, era a capital com o maior índice de violência proporcional - 90,5 homicídios por 100 mil habitantes.
Agora, logo no início de 2009, São Paulo comemora: pelo nono ano consecutivo, o número de assassinatos caiu. Em 2008, 66% assassinatos a menos em São Paulo.
Em 2007, o bairro de Alto de Pinheiros, classes A e B de São Paulo, registrou 301 assassinatos. Mesmo ano, mesma cidade, outra realidade: 1.408 pessoas foram mortas em Brasilândia, na periferia paulistana. A somatória de homicídios em São Paulo naquele ano: 63.729. Ou, em taxas: 604 habitantes mortos/100 mil habitantes. Com 3 mil assassinatos em 2008, Recife segue sem políticas públicas eficientes; foi chamada de "capital brasileira dos assassinatos" pelo jornal britânico The Independent.
Com as pequenas biografias de desejos e viagens comuns, Terra Magazine mostrará as faces ignoradas da violência. Por questão de lojística, vai se ater a casos ocorridos na Grande São Paulo, mas que simbolizam parcelas mais amplas do Brasil. De Recife a Porto Alegre, as estatísticas embutem um País ainda não compreendido.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Isolamento Social


Menina criada com cães já brinca com crianças, mas não fala

AFP - 29/05/2009


A menina de cinco anos (foto) encontrada latindo e pulando em um apartamento decrépito nesta segunda-feira, na Sibéria, brinca com outras crianças, mas não fala, e se comporta como um animal, relataram os psicólogos responsáveis por ela.
Abandonada por seu pai e seus avós, que viviam no mesmo apartamento em Chita, cresceu junto com os cães e gatos da família, e passou a reproduzir o comportamento dos animais.
Quando foi encontrada, "pulou em cima dos policiais, como um cachorrinho", tentando se comunicar com "a linguagem dos animais", contou a polícia local.
Levada para uma instituição, onde recebe ajuda médica e psiquiátrica, a criança, que praticamente nunca tinha saído do apartamento onde vivia, está descobrindo, aos poucos, a vida com os humanos. Porém, alguns de seus comportamentos continuam sendo os de um animal.
"Ela não usa talheres para comer. Quando lhe damos uma colher, ela a ignora e come diretamente com a boca", relatou Nina Emelshugova, funcionária do estabelecimento, à rede de TV russa Rossia.

"Na hora de brincar, ela imita o que vê. Ela tinha muito mais contato com animais do que com humanos", acrescentou outro colaborador da instituição, citado pela agência Interfax.
Este colaborador se recusou, porém, a considerar Natasha como uma "menina-animal". "Ela anda como uma criança normal, e suas atitudes semelhantes as de cães e gatos são freqüentes, mas não constantes. Ela mostra, por exemplo, como colocar uma panela no fogão e acender o gás", afirmou.
De acordo com os médicos que a examinaram, a menina não está muito atrasada em termos de desenvolvimento psíquico, mas tem a aparência física de uma criança de dois anos.
"Outros exames médicos serão realizados, mas ela está bem. O único problema é que com cinco anos de idade, ela ainda não fala", declarou a diretora da instituição, Tatiana Missnik, à agência Ria Novosti.
Multa para o pai
Depois da descoberta da menina, o pai, de 27 anos, foi multado por negligência e a mãe, que vive em outro lugar com outro filho, recebeu uma advertência.
O apartamento onde morava a família parecia um lixão, com um monte de objetos diversos, detritos e louça suja em todos os cômodos, segundo imagens mostradas pela TV russa.
Para a menina, o caminho da socialização deverá ser longo.
"Vamos torcer para que ela consiga ter uma vida normal", disse o diretor adjunto do Instituto psiquiátrico Serbski em Moscou, Evgueni Makushkin, ressaltando que o desenvolvimento psicológico destas crianças, muitas vezes traumatizadas, costuma ser complicado.
"Todas as funções motoras e de linguagem se desenvolvem nesta idade. Natasha vai precisar de um rigoroso programa de acompanhamento", acrescentou.
O caso de Natasha não é isolado. Desde 2003, uma dezena de histórias semelhantes foram registradas na Rússia, com crianças, maltratadas ou abandonadas pelos pais, andando ou se comunicando como cães e gatos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Isolamento Social e Cultura


Polícia russa descobre menina criada presa com cachorros e gatos

da Folha Online - 27/05/2009


Uma menina de 5 anos que passou a vida trancada em um apartamento acompanhada de cachorros e gatos, na cidade siberiana de Chita, na Rússia, foi colocada sob os cuidados do governo, nesta quarta-feira (27). Conforme os policiais, a menina não fala russo e age como se fosse um cachorro.
De acordo com informações do jornal russo "Moskovski Komsomolets", a mãe da menina, que tem outros três filhos, foi quem chamou a polícia. Ela disse que teve a filha sequestrada e que não tinha permissão para vê-la. Quando policiais foram à casa --onde, além da garota, viviam o pai dele e os avós--, encontraram uma menina com os animais.
"Por cinco anos, ela foi 'criada' por diversos cachorros e gatos, e nunca saiu à rua. [...] Sem tomar banho, ela usava panos sujos e tinha claros atributos de um animal, pulando em cima das pessoas", informou a polícia russa, em um comunicado. O apartamento que abrigava a menina e os animais não tinha aquecimento nem sistemas de água e esgoto.
"Nossa primeira impressão quando entramos foi a de que tínhamos ido parar em algum lixão. O fedor era insuportável e estava cheio de cachorros enormes e gatos", disse Larisa Popova, chefe do departamento da infância e adolescência da polícia de Chita.
Segundo os médicos, à primeira vista, a menina não apresenta graves deficiências psíquicas embora, aos 5 anos, ela aparente ter 2 ou 3 anos de idade.
Os assistentes sociais do centro de reabilitação para onde ela foi levada relatam que, quando saem do quarto, a menina, chamada Natashenka, late e arranha a porta como cachorro. Por enquanto, ela ainda observa assustada todos que a cercam e se assusta com os barulhos da rua. Conforme os pedagogos do centro de reabilitação, a menina tem se alimentado bem --ela lambe o prato, jamais aprendeu a usar talheres.
O pai da menina --que está foragido-- pode ser condenado a até três anos de prisão por "descumprimento das obrigações de educação de uma criança".

Com Reuters e Efe

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Classes Sociais

05/08/2008 - 14h36
Classe média já é mais da metade da população economicamente ativa, diz FGV

da Folha Online

A classe média cresceu no Brasil nos últimos anos e já responde por mais da metade da PEA (população economicamente ativa), segundo estudo divulgado nesta terça-feira (5) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Intitulada "A Nova Classe Média", a pesquisa apresentada pelo economista Marcelo Neri aponta que o número de famílias nesta categoria subiu de 42,26% para 51,89% entre 2004 e 2008.
Pela metodologia da fundação, que se baseia na renda de trabalho, foram consideradas pessoas em idade ativa de 15 a 60 anos.
Para a FGV, uma família é considerada de classe média (classe C) quando tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. A chamada elite (classes A e B) tem renda superior a R$ 4.591, enquanto a classe D (classificada como remediados) ganha entre R$ 768 e R$ 1.064. A classe E (pobres), por sua vez, reúne famílias com rendimentos abaixo de R$ 768.
Segundo o estudo, também de 2004 a 2008, as família das classes A e B cresceram de 11,61% para 15,52% da população. Já os brasileiros da classe D passaram de 46,13% da população para 32,59%.
Para levantar os dados, a FGV analisou informações do Ministério do Trabalho e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com os institutos, a redução da pobreza entre 2002 e 2008 em seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador) caiu em 13,5 pontos percentuais
Na avaliação de Marcelo Neri, a redução da pobreza e o crescimento da classe média refletem diretamente o aumento do emprego com carteira assinada.
Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), só nos seis primeiros meses do ano foram gerados 1,361 milhão de novos postos de trabalho, um aumento de 24,3% em relação ao primeiro semestre de 2007, recorde para o período. A previsão é fechar o ano em 2 milhões.
Ipea
Segundo outro estudo divulgado hoje, em Brasília, pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o percentual de famílias pobres caiu de 35% para 24,1% da população nas seis maiores regiões metropolitanas do país entre 2003 e 2008. Isso representa uma redução de quase um terço no percentual de pobres, ou cerca de 4 milhões de pessoas.
O levantamento, com base nos dados do IBGE, considera como pobres pessoas em famílias com renda mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 207,50). Já o percentual de indigentes (renda de até R$ 103,75) caiu pela metade no mesmo período, de 13,7% para 6,6%, uma redução de quase 3 milhões de pessoas nessa condição. Hoje, 27,4% dos pobres são considerados indigentes, ante 38,6%, considerando, nesse caso, dados de 2002.
O estudo do Ipea mostra ainda que, entre 2003 e 2008, o crescimento da economia beneficiou também os mais ricos (indivíduo pertencente a famílias cuja renda mensal é igual ou superior a 40 salários mínimos, ou R$ 16,6 mil).
Em termos percentuais, os ricos passaram de 0,8% da população em 2003 para 1% em 2008. Em números absolutos, cresceu de 362 mil para 476,5 mil.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dominação Tradicional e Nepotismo

Jucá fará emenda para retaliar Jobim por demissões na Infraero
Ele vai apresentar proposta que obriga presidente nomear um militar como ministro Defesa
Estadão - 13/05/2009

Eugênia Lopes, BRASÍLIA

Irritado com a demissão de um irmão e uma cunhada da Infraero, órgão subordinado ao Ministério da Defesa, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou ontem que vai apresentar uma proposta de emenda à Constituição que obrigue o presidente da República a nomear um militar da ativa ou da reserva para comandar a pasta.A emenda de Jucá é uma retaliação à decisão do ministro Nelson Jobim, que elaborou e conseguiu a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o plano de demissões de indicados políticos da Infraero - empresa estatal que trata da infraestrutura dos aeroportos. Um dos demitidos foi Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo, que era assessor da Infraero no Recife. A cunhada de Jucá, Taciana, mulher de Oscar, também foi demitida."Se depender de mim, o ministro Jobim fica. Aliás, ele fica até eu aprovar a minha proposta de emenda constitucional, que define que o ministro da Defesa precisa ser militar da ativa ou da reserva para entender de defesa", disse ontem Jucá, em discurso no plenário do Senado. Ele explicou que reclamou com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, da forma "deselegante" como ocorreram as demissões."Registrei dentro do governo a falta de cortesia, a falta de educação, a falta de civilidade que se fez ao demitir, não o meu irmão, mas qualquer pessoa que trabalhasse na Infraero, da forma como fizeram, porque nós, políticos, não podemos entender que a classe política seja motivo para demissão de alguém", observou Jucá.Na tentativa de afastar as especulações de que o PMDB pressiona o governo contra as demissões de apadrinhados políticos da Infraero, Jucá garantiu que não pediu a ninguém para seu irmão Oscar ser readmitido na Infraero. "Não pedi para meu irmão voltar, não falei com o presidente Lula para meu irmão voltar", afirmou Jucá, ao observar que pediu até hoje apenas a modernização do aeroporto de Boa Vista.
CONCURSO
O líder do governo defendeu ainda a realização de concurso público para a Infraero. "Se a Infraero vai ser preparada para ser privatizada, ótimo, vamos discutir o modelo de privatização. Se a Infraero só vai ter diretores da Casa, ótimo. Agora, vamos fazer um concurso público para botar os melhores servidores da Casa e não pessoas indicadas ou de panelinhas ligadas a grupos políticos dentro da Infraero", disse.Depois de reunir-se na segunda-feira com o presidente Lula, o ministro Jobim confirmou que, dos 98 cargos políticos da Infraero, 28 foram afastados. A ideia é que só 12 vagas sejam de indicação política. As demissões de apadrinhados políticos do PMDB causaram rebelião na bancada do partido. De acordo com Jobim, as demissões continuarão e o trabalho do brigadeiro Cleonilson Nicácio, presidente da estatal, tem por objetivo tornar a Infraero mais profissional.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Patrimonialismo x Burocracia

Infraero demite afilhados de aliados do governo Lula
Redação SRZD Nacional 05/05/2009 14:50

A Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, decidiu tentar extinguir a partidarização de cargos políticos em seus quadros da empresa. O movimento de moralização, que tem como objetivo a privatização de alguns aeroportos, provocou a ira do maior aliado do governo do presidente Lula: o PMDB, que ficou revoltado com o corte dos apadrinhados. Nesta segunda, os principais líderes do partido conseguiram ser recebidos por Lula no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para reclamar.
O presidente da estatal, brigadeiro Cleonilson Nicácio, restringiu a 12 o número de contratos especiais. Hoje são 109 os funcionários com estes contratos, os cargos comissionados, ou cargos por indicação de políticos e de partidos. Pelo novo estatuto, há agora a obrigatoriedade para que a indicação de quatro das cinco vagas da diretoria (administração, operações, finanças, comercial e engenharia) sejam preenchidas por nomes do quadro da Infraero. Atualmente, todos os diretores se enquadram nessa exigência.
No total, 28 já foram demitidos nos últimos dias. O salário desse grupo de servidores varia de R$ 3.598 a R$ 13.870. Dos 12 cargos comissionados que vão restar, o presidente tem direito a indicar sete e os outros cinco diretores, um cada. Segundo a Infraero, o fim dos contratos especiais vai gerar uma economia de R$ 19,5 milhões ao ano.
Fonte: Sidney Rezende

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Determinismo genético

Os ateus são mais inteligentes

Revista Época - 9/8/2008

O pesquisador britânico Richard Lynn dedicou mais de meio século à análise da inteligência humana. Nesse tempo, publicou quatro best-sellers e se tornou um dos maiores especialistas no assunto. Nos últimos 20 anos, passou a investigar as relações entre raça, religião e inteligência. Ao publicar um trabalho na revista científica Nature, que sugeria que os homens são mais inteligentes, um grupo feminista o recepcionou em casa com o que ele chamou de salva de ovos. O mesmo aconteceu quando disse que os orientais são os mais inteligentes do planeta. “Faz parte do ofício de um cientista revelar o que as pessoas não estão prontas para receber”, diz. Ao analisar mais de 500 estudos, Lynn disse estar convencido da relação entre Q.I. alto e ateísmo. “Em cerca de 60% dos 137 países avaliados, os mais crentes são os de Q.I. menor”, disse. Seu trabalho será publicado em outubro na revista científica Intelligence.

Solidariedade Mecânica - Direito Repressivo

Matança Saudita
14/10/2008
Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine

Roma - A cada três dias é executado um condenado na Arábia Saudita, onde a Sharia é interpretada à luz da doutrina wahabita, ou seja, fundamentalista.
Pelo levantamento realizado pela Anistia Internacional e divulgado hoje, às 13 horas na Europa (9 horas, no Brasil), metade dos submetidos à pena capital são estrangeiros sem recursos financeiros.
A maioria dos executados não domina a língua e não é defendida por advogados. Aos estrangeiros se aplica a pena de morte até para delitos não violentos: neste mês de outubro foi executado um imigrante turco, por imprecações contra Alá e o profeta Maomé. Do processo não consta se as ofensas foram em língua turca ou árabe.
Só neste ano de 2008 e até 31 de agosto passado foram cumpridas 71 sentenças condenatórias à morte. O recorde de execuções capitais, até agora, ocorreu em 2007, com 158 mortes, todas públicas e com métodos bárbaros como decapitações, enforcamentos etc.
Com base no número de habitantes, a Arábia Saudita é recordista mundial. Em números absolutos, ocupa o terceiro posto, atrás da China (470 execuções no ano de 2007) e do Irã (317 mortes em 2007 e dentre elas 7 menores de 18 anos). No quarto posto, depois da Arábia Saudita, está o Paquistão, que condenou e matou, em 2007, 135 pessoas.
A Arábia saudita não firmou a moratória à pena de morte, aceita, por proposta da Alemanha, nas Nações Unidas. A moratória da ONU consiste na suspensão das execuções capitais, em estados-membros que aceitam a pena de morte e até que, por Convenção, seja tratado o tema. Hoje, 62 países prevêem a pena de morte, mas nem todos eles a aplicam, até por manifestações das cortes constitucionais, como é o caso, por exemplo, da Itália.
PANO RÁPIDO. O alarme da Anistia Internacional com relação às execuções capitais mostra que as grandes vítimas dessa forma desumana de sanção judicial são os pobres e os marginalizados. O soberano saudita Abdallah não demonstra qualquer disposição em reconsiderar sua posição e adotar a moratória da ONU. Nem ao menos se manifestou, apesar da mobilização internacional, sobre o caso da menina Rizana Nafeek, nascida no Sri-Lanka e presa em Riad. Ela, que só fala em língua tamil, está condenada à decapitação por ter "contribuído" com a morte de uma criança saudita, não se sabendo se com conduta culposa ou dolosa.
Fonte: Terra Magazine

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dominação Tradicional: Nepotismo




quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Novos tipos familiares

Mudança nas famílias faz escolas reinventarem Dia dos Pais

Diversidade de tipos familiares faz instituições inovarem celebração da data para atender a nova realidade

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo - 09/08/2008


SÃO PAULO - As mudanças na estrutura das famílias brasileiras já obrigam as escolas a repensar comemorações tradicionais como o Dia dos Pais. Muitas omitem as festas e homenagens. Com o aumento do número de adoções por solteiros e divórcios, os colégios procuram alternativas para evitar situações constrangedoras.
"A vida não é mais uma propaganda de margarina", afirma a empresária Verônica Stresser. De fato, sua casa difere muito do modelo familiar apresentado nos comerciais. Ela é solteira e vive com a irmã que ficou viúva quando o filho tinha uma semana de vida. Hoje, o garoto tem treze anos.
Há oito anos, Verônica realizou o sonho de ser mãe e adotou Giovanna. A garota estuda no Colégio Nova Escola, zona sul de São Paulo, que realizará, pelo segundo ano consecutivo, a Festa da Família. Será no próximo domingo para não coincidir com o Dia dos Pais.
Artur é amigo de Giovanna. Seus pais estão separados, mas mantêm um bom relacionamento. A mãe, Adriana Marim, já enviou um e-mail ao pai para lembrar a data da festa. No ano passado, o colégio ofereceu uma cesta de doces para quem trouxesse a maior família. Artur foi o vencedor: além dos avós, mãe e tios, contou também com a presença da nova família do pai. Ao todo, 11 pessoas compareceram à festa.
A Nova Escola também não comemora o Dia das Mães. Milena Yamaguchi matriculou os filhos gêmeos no colégio este ano e, no início, lamentou o novo costume. "A data é um sonho para toda mãe." Mesmo assim, alimenta expectativas para seu primeiro Dia da Família.
A diretora do Colégio, Maria Ester Ceccantini, afirma que a mudança tem um sentido pedagógico, pois mostra às crianças a "amplitude dos relacionamentos humanos". Ela se diverte com a frase que ouviu da bisavó de um aluno no fim da festa no ano passado: "Vocês estão na contramão, mas estão no bom caminho."
Para o dia de hoje não passar em branco, os alunos confeccionaram cartões para os pais. Giovanna resolveu dedicar o seu à "família". Quando lhe perguntam quem é sua família, ela responde com um sorriso: "Minha mãe, minha tia e meu irmão, oras." (Para ela, o filho da tia é também seu irmão.)
O Colégio Pentágono resolveu adotar a mesma estratégia. A festa ocorre em março ou abril para ninguém associar a outras datas. A advogada Maria Eulália Secilio é solteira e adotou duas crianças: João Vitor e Priscila. Há quatro anos, quando a escola ainda não criara a Festa da Família, Eulália fazia questão de aparecer na homenagem do Dia dos Pais. "Eu sentava na roda com mais quinze pais para participar das brincadeiras", recorda Eulália. "Era a única mulher."
As duas crianças também prepararam cartões para hoje. Priscila, com 7 anos, entregará a lembrança ao padrinho. Já João Vitor, com 9, resolveu dedicá-lo à Eulália. "Ela é mãe e pai", justificou o garoto.
No Colégio Santo Américo, o novo costume também chegou. Ana Cristina Nogueira, mãe de André, considera a festa oportuna. Ela argumenta que, como a maior parte dos filhos de pais separados mora com a mãe, não há tanto problema quando o pai não vai à comemoração do Dia das Mães. Já na festa do Dia dos Pais fica estranho se a mãe não aparece. "E, muitas vezes, ela não quer encontrar o ex-marido", aponta. Na Festa da Família, pais separados podem comparecer e há atividades para os dois em lugares distintos do colégio.
O ex-marido de Ana é uma exceção: ele estava presente na festa do Dia das Mães. E ela conta, bem-humorada, a reclamação de outra mãe: "Meu marido, mesmo casado comigo, não veio."

Rede pública

A Escola Municipal de Educação Infantil Oscar Pedroso Horta, na zona sul de São Paulo, resolveu substituir as comemorações do Dia dos Pais por um Mês da Família. As crianças utilizam desenhos e histórias para expressar sua visão da família. A escola fica em uma região pobre da capital. Há muitas crianças que não convivem com o pai.
"Os desenhos são muito eloqüentes", afirma a coordenadora pedagógica Ana Cristina Azevedo. Em alguns, o pai aparece normal e proporcional. Em outros, ele está diminuído em um canto. Às vezes, faltam traços: uma boca, os braços ou as pernas. "As crianças sofrem com a ausência da figura paterna", considera Ana. Ela acredita que as atividades do Mês da Família amenizam essa realidade, pois oferecem um espaço para as crianças exteriorizarem suas ansiedades.
Sara é filha do eletricista Antonio Soares e estuda na escola municipal. Quando Soares soube que não organizariam uma comemoração igual ao Dia das Mães para os pais, ficou muito sério. "Não acho certo", disse. Mas depois de ouvir os motivos do colégio, considerou a medida oportuna.
A Escola Paulistinha, ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não abandonou a festa do Dia dos Pais. Mas descobriu um jeito de levar em conta as novas configurações familiares. Na falta do pai, a criança pode levar o avô, o padrasto, o padrinho ou um amigo. E se, mesmo assim, não consegue ninguém para acompanhá-la, as professoras designam um "pai emprestado" para brincar com ela durante a festa. "A figura masculina é importante para a criança", afirma a diretora Léa Chuster Albertoni.
Mas a principal inovação foi aproveitar a data e reunir os pais para uma troca de "vivências familiares" sem a presença das crianças. No encontro, eles partilham seus medos, dúvidas e alegrias. Segundo Léa, a iniciativa já despertou muitos pais que viviam distantes dos filhos.
Oton Moura participou na sexta-feira das comemorações com seu filho Guilherme. Ele conta com emoção uma das "brincadeiras" organizadas pela escola: pai e filho deveriam desenhar um ao outro. Depois, os retratos foram unidos com cola no verso das folhas. "Entendi que sou como um espelho para o Guilherme", afirma Moura.


Dificuldades

No Colégio Monteiro Lobato, zona norte de São Paulo, a Festa da Família não teve o sucesso esperado. A comemoração ocorreu no dia 31 de maio, mas apenas 20% dos pais do ensino infantil compareceram. O diretor da escola, Walter de Assis, afirma que algumas famílias não desejam incorporar o novo costume.
A estudante de direito Janaína Spindola, por exemplo, prefere que a comemoração não ocorra. Divorciada, ela quer evitar qualquer ocasião em que possa encontrar seu ex-marido com a nova mulher. "E se ele não aparecer na festa, meu filho sentirá falta do pai do mesmo jeito", aponta Janaína.

Inversão de papéis

Aumenta número de famílias chefiadas por mulheres com cônjuge

Nos últimos dez anos, a chefia feminina na família aumentou cerca de 35%, de 22,9%, em 1995, para 30,6% em 2005. O crescimento foi maior em Santa Catarina (64,1%) e Mato Grosso (58,8%). A chefia feminina é mais expressiva entre as idosas1 (27,5%), reflexo da maior expectativa de vida das mulheres e da maior presença delas em domicílios unipessoais (com um só morador).

Em relação a 1995, cresceu também a proporção de famílias chefiadas por mulheres que tinham cônjuge. No ano passado, do total das famílias com parentesco, em 28,3% a chefia era feminina. Em 18,5% desse universo, as mulheres eram chefes, apesar da presença do cônjuge. Em 1995, essa proporção era de 3,5%. O indicador aponta não somente para mudanças culturais e de papéis no âmbito da família, como reflete a idéia de chefia "compartilhada", isto é, uma maior responsabilidade do casal com a família.

A proporção de mulheres na chefia das famílias com parentesco nas áreas metropolitanas era maior do que a média nacional (28,3%), variando de 31,0% na Grande Porto Alegre a 42,0% na Grande Salvador. Nas regiões metropolitanas, onde o acesso à informação e ao mercado de trabalho é mais fácil, as mulheres têm mais condições de assumir a chefia familiar.

A chefia feminina, porém, ainda é fortemente representada nas famílias onde não há cônjuge, principalmente no tipo de arranjo familiar onde todos os filhos têm 14 anos ou mais de idade.

Neste caso, é possível encontrar mães solteiras ou separadas com filhos já criados ou até mesmo viúvas, cujos filhos permanecem em casa por opção ou necessidade. De 1995 a 2005, a percentagem de famílias chefiadas por mulheres com filhos e sem cônjuge passou de 17,4% para 20,1% no Nordeste, e no Sudeste, de 15,9% para 18,3%.

Em parte pelo reflexo da maior presença das mulheres no mercado de trabalho e da conseqüente redução da fecundidade, o tamanho médio das famílias diminuiu, entre 1995 e 2005, de 3,9 para 3,4 componentes no Nordeste e de 3,4 para 3,1 no Sudeste. Ainda se observa, porém, em todas as regiões metropolitanas, que as famílias maiores tinham menor rendimento per capita, enquanto os maiores rendimentos foram característicos das famílias menores.

Entre 1995 e 2005, por exemplo, a proporção, entre os arranjos familiares, dos casais com filhos e parentes caiu, no Nordeste, de 6,8% para 5,0%. No Sudeste, esse percentual passou de 4,8% para 3,7%. Reduziu-se também o percentual de casal com filhos, de 57,6% para 49,8% no país; de 57,7% para 51,3% no Nordeste e de 56,6% para 48,5% no Sudeste.

Um aspecto positivo para as famílias brasileiras nos últimos dez anos foi a redução das que vivem com um rendimento per capita de até ½ salário mínimo. Nas famílias chefiadas por homens, essa redução foi de 3,5 pontos percentuais, enquanto que nas famílias chefiadas por mulheres a redução foi um pouco maior, 3,8 p.p.

No Nordeste, essa queda foi de 3,5 pontos percentuais (48,4% para 44,9%), mas o contingente ainda era expressivo. Em contrapartida, no Sudeste, em 2005, apenas 15,8% das famílias estavam nesse patamar de rendimento per capita. Tocantins teve a maior redução nesse indicador: a proporção de famílias com chefia masculina e rendimento familiar per capita de até ½ salário mínimo passou de 54,9%, em 1995, para 37,5%, em 2005; na chefia feminina, a queda foi de 56,8% para 40,8%.

O rendimento médio familiar per capita dos 40% mais pobres era de ½ salário mínimo, enquanto o dos 10% mais ricos ficava em 9,44 salários mínimos, ou seja, 19 vezes superior. A situação, porém, era pior em 1995, quando essa relação era de 23,3.

O índice de Gini2 do rendimento familiar caiu de 0,559, em 2004, para 0,552, em 2005. O Distrito Federal (0,592) e os estados do Piauí (0,589), Rio Grande do Norte (0,585) e Paraíba (0,569) tiveram os valores mais elevados. O mais baixo foi do Amazonas (0,459).

Fonte: http://www.ibge.com.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=774&id_pagina=1

Aborto e Judiciário



Juízes e promotores defendem ampliação do aborto legal, dizem pesquisas

MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas
16/09/2008

Duas pesquisas realizadas simultaneamente no país com juízes e promotores apontam que 78% dos entrevistados são favoráveis à ampliação das possibilidades de aborto legal.
Os estudos foram feitos pela ONG Cemicamp (Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas) e coordenados pelo ginecologista Aníbal Faúndes, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Ouviram 1.493 juízes e 2.614 promotores de todas as regiões.
O Código Penal prevê hoje o aborto legal em duas hipóteses: risco de vida para a gestante e gestação decorrente de violência sexual. "Para esses casos já há serviços de aborto legal no país, sem necessidade de autorização judicial", disse o juiz José Henrique Torres, um dos autores da pesquisa com juízes.
No caso dos juízes, 61,2% apontaram necessidade de mudanças na legislação atual para aumento das circunstâncias em que não se pune o aborto praticado por médicos.
Outros 16,8% dos juízes se disseram favoráveis à descriminalização do aborto, independentemente da circunstância, totalizando 78% favoráveis à mudanças na lei.
Na mesma pesquisa, 12,5% dos promotores disseram ser a favor da não-penalização do aborto em qualquer caso e 3,2% opinaram que a prática nunca deve ser permitida.
No caso dos magistrados, 7,3% disseram que a prática do aborto não deve ser permitida sob qualquer circunstância.
O juiz Torres, da Vara do Júri de Campinas (SP), defendeu a descriminalização da prática. "Vivemos sob uma ilegalidade consentida. O aborto deve ser tratado como problema de saúde pública, e não enfrentado dentro do sistema criminal."
Segundo ele, há poucos casos de abertura de inquéritos para apurar casos de aborto por má-formação fetal. "Sou a favor da descriminalização em qualquer hipótese, mas enquanto isso não acontece que sejam pelo menos descriminalizados os casos de má-formação fetal."
Segundo a pesquisadora Graciana Duarte, do Cemicamp, as 35 perguntas das pesquisas foram enviadas a juízes e promotores por meio de malotes, com apoio de associações de classe das duas categorias. Os estudos começaram em 2005 e foram concluídos no ano passado.
Entre as questões enviadas estavam, por exemplo, se os juízes ou promotores defendem a permissão do aborto em caso de risco para a gestante. Outra questão tratava da opinião dos entrevistados sobre gravidez após estupro.


Família, divórcio e recasamento


Homens divorciados se casam mais que mulheres na mesma condição

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo
24/09/2008

De 1997 para 2006, o número de casamentos entre homens divorciados e mulheres solteiras foi o que mais cresceu entre os registros civis. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, esse tipo de casamento representava 4,4% dos matrimônios registrados em 1997 e em 2006 chegou a 6,5%. Os casamentos entre mulheres divorciadas e homens solteiros também aumentaram, mas em menor proporção: passaram de 1,9% dos casos para 3,3%.Segundo o IBGE, de todas as combinações analisadas (entre solteiros, viúvos e divorciados de ambos os sexos) apenas o tipo mais comum - entre homem e mulher solteiros - diminuiu nesse intervalo, caindo de 90,1% dos casos para 85,2%. Esses dados, segundo o estudo, corroboram as mudanças vêm acontecendo gradualmente na estrutura familiar no Brasil. Segundo o IBGE, 69,9% dos casais que se divorciam tem pelo menos um filho e o número crescente de segundos casamentos mostram, conseqüentemente, um aumento de famílias reconstituídas.O número de casamentos, que havia decaído entre 1997 e 2002, teve esse tendência revertida até 2006. A taxa de nupicialidade legal (números de casamentos por habitantes), que estava em 6,4 por mil e decresceu para 5,7 por mil em 2002, voltou a crescer para 6,5 por mil em 2006. Segundo o IBGE, essa mudança é atribuída à renovação do código civil em 2002 e a iniciativas que facilitaram o acesso ao registro civil sob os aspectos burocrático e econômico. Além disso, "os valores estão mudando e hoje em dia é muito mais freqüente você casar só no papel", afirma Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa.

Divórcios

Segundo os Indicadores Sociais, 76% dos divórcios de 2006 ocorreram por consenso. A porcentagem continua alta, mas vem decrescendo nos últimos anos: em 2002, eram 79,1% dos casos e, em 1997, 81,7%.Entre as causas não-consensuais, 10,7% foram requeridas por mulheres motivadas por "conduta desonrosa" ou "grave violação dos deveres do casamento" por parte do parceiro. Pelos mesmo motivos, apenas 3,2% das separações foram requeridas por homens.

Mudanças na família

Em dez anos, dobra o número de casais sem filhos e nos quais marido e mulher têm rendimento

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

De 1997 para 2007, o número de casais que optaram por não ter filhos e que possui rendimentos tanto da parte do homem quanto da mulher dobrou. A Síntese de Indicadores Sociais 2008 do IBGE, cujo ano de referência é 2007, indica há no Brasil 1,92 milhão de casais com essas características, contra 950 mil em 2007. "Esse número mostra que essa opção, já muito freqüente em países desenvolvidos, começa a ser uma forma significativa de organização familiar no Brasil", afirma Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa. Esse tipo de casal é classificado como DINC - "Duplo Ingresso e Nenhum Filho". Segundo Sabóia, esta é o primeiro estudo em que o IBGE utiliza a terminologia.

Os dados também revelam que esse tipo de casal está associado ao adiamento da fecundidade, já que em 58,7% dos casos a pessoa de referência - sem filhos - tinha até 34 anos. Outra característica dos casais tipo DINC no Brasil é possuir rendimento elevado, em média 3,5 salários mínimos per capta. Por isso, eles costumam estar entre os 10% mais ricos da população. O estudo também conclui que esse tipo de casal atribui demasiada importância "à aquisição de atributos profissionais que possam garantir posições bem estabelecidas no mercado de trabalho". "Acredito que há uma mudança de valores. A mulher parece mais preocupada com o desenvolvimento profissional", afirma a pesquisadora.

Cai porcentagem de casais com filhos

No total dos arranjos familiares com laços de parentesco no país, os DINC representam 3,4%. A maior fatia desse bolo ainda é formada por casais com filhos - 48,9% dos casos em 2007. Essa maioria, no entanto, diminuiu percentualmente com relação a 1997, quando representava 56,6% dos casos. O número de pessoas que vivem sozinhas também cresceu nos últimos dez anos, de 8,3% (1997) para 11,1% dos domicílios particulares em 2007, como resultado da redução da taxa de mortalidade e aumento da expectativa de vida, principalmente entre as mulheres. Esse número representa cerca de 6,7 milhões de pessoas, das quais 40,8% tem 60 anos de idade ou mais.

sábado, 28 de junho de 2008

Preconceito religioso e Intolerância

Jovens de igreja evangélica invadem centro espírita e destróem imagens religiosas
RJ TV - 03/06/2008

Dois idosos teriam ficado feridos. Presos, os jovens não explicaram o motivo da invasão e disseram que faziam parte de igreja Geração Jesus Cristo. A instituição negou relação com o acontecido.

Três homens e uma mulher foram detidos depois de invadir e destruir um centro espírita no Catete, na Zona Sul do Rio. O ato de vandalismo, no início da noite desta segunda-feira (2), foi provocado por preconceito religioso. Eram destroços de imagens por todos os lados, na sala de orações e nos corredores. Tudo o que estava sobre o altar do centro espírita foi destruído no ataque de fúria de quatro jovens. De acordo com os freqüentadores, o centro existe há 80 anos e nunca havia sofrido uma invasão como esta. Na hora em que os manifestantes chegaram, muita gente ainda aguardava do lado de fora do prédio para acompanhar uma celebração. “Tinha uma fila com mais de 60 pessoas. Eles começaram a provocar na fila, empurraram a porta e entraram já xingando e quebrando todos os santos”, contou Dona Edmar Castelo Branco de Almeida, responsável pelo centro. Horas depois de terem sido presos, os jovens saíram sem dar nenhuma declaração. Eles disseram apenas que faziam parte de uma igreja evangélica chamada Geração Jesus Cristo. O pastor, que comanda há 8 anos a instituição, se disse surpreso com o ataque.

Ele afirmou que a ação dos jovens foi um ato isolado, sem a aprovação da congregação religiosa. O responsável pela Geração Jesus Cristo reforçou ainda que a igreja repudia manifestações de vandalismo e de invasão à propriedade. Na página que a congregação mantém na internet, vídeos e textos apresentam diversas críticas a outras doutrinas e crenças religiosas, com palavras agressivas. Em um dos textos, intitulado "Alerta para a população", há um relato de que outros incidentes, como o desta segunda-feira, já tinham acontecido. Os seguidores da igreja teriam trocado socos e tapas com integrantes de outra igreja evangélica, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e também no interior do estado, no município de Mendes.

Os dirigentes do centro espírita têm medo de novos ataques. “Será que outros não aparecerão? Não só na nossa igreja, mas também em outras. Isso realmente causa preocupação”, ressaltou a advogada Cristina Moreira. Os quatro invasores foram autuados e vão responder por ameaça, dano contra o patrimônio e por desrespeito a culto ou prática religiosa. As penas variam de um mês a um ano de cadeia, mais multa.

Assista sobre o fato
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM836235-7823-EVANGELICOS+INVADEM+E+VANDALIZAM+CENTRO+ESPIRITA,00.html

Comportamento

Consumo de maconha no Brasil aumenta mais de 100%, aponta relatório da ONU
Último Segundo - 28/06/2008


BRASÍLIA - O relatório mundial sobre drogas do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), divulgado nesta quinta-feira, mostra que o aumento mais importante no consumo de maconha na América Latina foi registrado no Brasil.
O consumo de maconha no Brasil aumentou duas vezes e meia: de 1% da população entre 12 e 65 anos, em 2001, para 2,6% dessa população em 2005.
A maioria dos países da América do Sul, especialmente o Brasil, Argentina, Uruguai e Chile citam o Paraguai como principal fonte de haxixe de seus mercados.
A América Latina – incluindo o Caribe e América Central – foi responsável por 12% das apreensões globais de maconha. Na região, os maiores volumes de maconha apreendidos foram no Brasil (167 t), Bolívia (125 t), Colômbia (110 t), Argentina (67 t), Paraguai (59 t) e Jamaica (37 t).
Consumo de drogas deve crescer
O consumo de drogas deve manter a tendência de crescimento. Essa é a avaliação de especialistas e autoridades que participaram da elaboração do relatório mundial sobre drogas.
Segundo o chefe da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), general Paulo Uchôa, para se reduzir o consumo de drogas no País é preciso estabelecer políticas eficientes de prevenção e repressão. Segundo ele, a execução de projetos voltados para esse fim cabe aos ministérios, mas ainda não têm sido feito.
“Para frear essa tendência, é preciso investir em educação, na informação, em ações articuladas. Nosso órgão foi criado para isso, mas precisa de recursos. A nossa pasta não os têm. Até hoje nosso orçamento não recebe nada do Tesouro”, reclama o general Paulo Uchoa.
A Polícia Federal também afirma que falta equipe para fiscalizar os 14 mil quilômetros de fronteiras brasileiras. O Brasil faz fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo – Colômbia, Peru e Bolívia – e também faz divisa com o maior produtor de maconha, Paraguai.
“Falta gente para ocupar tanto espaço, para fiscalizar e combater o tráfico de drogas. Essa é a nossa maior dificuldade”, declarou o coordenador-geral de repressão à droga da Polícia Federal, delegado Paulo Tarso, reforçando a deficiência do País na área da repressão, parte fundamental na redução do consumo de drogas.
No ano passado, segundo dados da PF, 17 toneladas de cocaína foram apreendidas, contra 14 toneladas em 2006. Em 2008, a previsão da PF é que sejam apreendidas mais de 19 toneladas da droga. E na avaliação do delegado, a tendência é que esse número cresça. “É o que temos visto”, disse.
Comparações
Apesar do incremento do consumo interno, o Brasil (2,6%) está abaixo da média de consumo da América do Sul, que é de 3,4%. Nos EUA, a maconha é consumida por 10,5% da população. O Brasil (0,7%) também fica abaixo da média de consumo de outros países em relação à cocaína. Nos EUA, 2,4% da população consome a droga; na Europa, 1,2%; na América do Sul, 1%.
Na avaliação do representante do Escritório da ONU contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia, mesmo estando abaixo da média de consumo de outros países, a situação do Brasil merece cuidado pois os dados revelam que o consumo de drogas no País tende a crescer. E comparou a situação do País com a Argentina. “Há dois anos, ela estava no mesmo ponto do Brasil, hoje, o índice subiu para 2,6%”, alertou.
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domingo, 1 de junho de 2008

Cem anos de integração Brasil e Japão




Mostra em comemoração ao centenário da imigração japonesa para o Brasil, apresentando a cultura nipônica em quase todas as suas manifestações artísticas e culturais, desde os seus aspectos tradicionais até nossos dias. É composta de cerca de 300 peças entre cerâmicas, pipas, vestuário, telas, ikebanas, cartazes de animês, armaduras de samurai, espadas e outros objetos. Curadoria: Denise Mattar Patrocínio: Banco do Brasil e Vale. De 20 de maio a 13 de junho.

Comentário

Nesta exposição os estudantes de sociologia tem a oportunidade de exercitar a articulação da teoria sociológica com os dados, objetos e textos em exposição. Impossível não visualizar os conceitos de solidariedade mecânica e solidariedade orgânica de Durkheim durante o passeio que vai do Japão tradicional ao país dos dias atuais. Vá até o Centro Cultural Banco do Brasil e curta, e o melhor, é de graça.

Foto: Jacob Portela

sábado, 17 de maio de 2008

Raça? Qual?

Neguinho da Beija-Flor tem mais gene europeu
29/05/2007 - BBC Brasil

Carolina Glycerio Do Rio de Janeiro

Neguinho da Beija-Flor, o sambista carioca que leva a cor da pele no nome artístico, é geneticamente mais europeu do que africano, indica uma análise do seu DNA feita a pedido da BBC Brasil como parte do projeto Raízes Afro-brasileiras.

De acordo com essa análise, 67,1% dos genes de Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho, têm origem na Europa e apenas 31,5%, na África.
"Europeu, eu?! Um negão desse", disse, apontando para si mesmo e num tom entre divertido e desconfiado, ao ouvir o resultado do exame da amostra de saliva que enviou ao Laboratório Gene, do genetista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Antes de conhecer a conclusão surpreendente do teste, o sambista apostara que devia ser de 70% a 90% africano e que não teria um só gene europeu. "Não tenho olho azul, não tenho cabelo escorrido, não tenho nada de branco aqui. Da Europa, nada", havia dito, brincando.
O geneticista Sérgio Pena explica a aparente contradição: "Os genes que determinam a cor da pele são uma parte ínfima do conjunto de genes de uma pessoa".
Para o especialista, o resultado do exame de Neguinho é apenas a comprovação de que a cor da pele é, do ponto de vista genético, o equivalente à pintura de um carro. "É como a diferença entre um Fiat amarelo e um Fiat vermelho. Por dentro, são iguais", comparou.

Miscigenação intensa

Para chegar aos percentuais em questão, a equipe de geneticistas liderada por Pena analisou 40 regiões do genoma de Neguinho.
As seqüências genéticas (haplótipos) encontradas no sambista foram então comparadas com as registradas em bancos de dados internacionais e do próprio laboratório.
Segundo Pena, o resultado de Neguinho não é raro e reflete, simplesmente, a intensa miscigenação que houve e ainda há no Brasil entre índios, europeus e africanos.
O próprio Neguinho tem, por exemplo, 1,4% de ancestralidade ameríndia.

Ancestrais africanos

Além da análise do DNA genômico, uma amostra de saliva de Neguinho da Beija-Flor foi submetida a outros dois testes que revelaram de onde vieram os seus ancestrais.
O ancestral paterno mais distante é revelado por meio da análise do cromossomo Y, passado de pai para filho (e não para filha) sem sofrer mudanças, a não ser que haja uma mutação.
A ancestral materna mais distante é revelada por meio da análise do DNA mitocondrial que é passado da mãe para filhos e filhas, também sem sofrer mudanças.
Na análise da linhagem materna, seqüências genéticas idênticas às de Neguinho foram vistas em três populações da África Ocidental: os mancanha (Guiné Bissau), o povo limba (Serra Leoa) e os iorubás (distribuídos por uma região que engloba hoje países como Nigéria, Benin, Gana e Togo).
Do lado paterno, é mais difícil precisar a origem porque o material genético analisado tem, segundo Pena, ampla distribuição geográfica entre as três regiões da África que enviaram escravos ao Brasil - África Ocidental, África Central e Sudeste da África.
A genética novamente explica como um exame pode indicar a predominância européia de Neguinho e ao mesmo tempo "o lado europeu" não aparecer no exame das ancestralidades materna e paterna.
"São bananas e maçãs", diz Pena, enfatizando que as informações não se contradizem.
É que o DNA mitocondrial, usado para rastrear a ascendência por parte de mãe, remete a apenas uma ancestral materna que viveu na África não se sabe quando. Pode ter vivido há centenas ou milhares de anos atrás. Dessa forma, esse teste não reflete as sucessivas misturas que ocorreram depois dessa ancestral.
A mesma coisa acontece com o cromossomo Y, usado para rastrear a ancestralidade paterna. Esse cromossomo, explica Pena, é passado como um "sobrenome", de pai para filho sem alterações. Por isso, a sua análise revela um ancestral que deu origem a esse sobrenome, mas não aos que vieram depois dele.
Tanto o DNA mitocondrial como o cromossomo Y são "marcadores de linhagem"que não necessariamente têm expressão genética, mas ficam "gravados" no DNA do indivíduo.
Para Neguinho, os resultados foram surpreendentes, mas não vão mudar a forma como ele se vê.
"Eu vou pela cor da pele. Se eu disser que sou 67% europeu, nego vai achar que estou de gozação", disse o músico carioca, pai de dois filhos.
O geneticista Sérgio Pena explica, no entanto, que os testes de ancestralidades materna e paterna revelam apenas o ancestral mais antigo de cada lado.
Daí a importância de se fazer o teste de ancestralidade genômica que tira uma "média" do DNA e estima as porcentagens de ancestralidade africana, européia e ameríndia.
Sérgio Pena calcula em 2,5% a margem de erro dos testes de ancestralidade genômica.


Leia mais: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070424_dna_neguinho_cg.shtml

Brasil tem a cara do futuro:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070528_dna_brasilfuturo_cg.shtml

Dominação Carismática

Veja também na Tv Virtual: Khomeini, Gandhi e Antônio Conselheiro

sábado, 10 de maio de 2008

Aborto como Fato Social: mais detalhes da pesquisa

7% DAS BRASILEIRAS EM IDADE REPRODUTIVA JÁ FIZERAM ABORTO

Aborto e Saúde Pública: 20 anos de pesquisas no Brasil

Estudo da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) apresenta um mapa inédito do aborto no Brasil. Financiado pelo Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde, o relatório resume os resultados de pesquisas realizadas nos últimos 20 anos sobre o tema. Coordenado pela antropóloga e professora da UnB, Debora Diniz, e pela médica sanitarista da UERJ, Marilena Corrêa, a pesquisa utilizou o fio condutor “o aborto como uma questão de saúde pública no Brasil” para a coleta dos dados e mostra os principais desafios enfrentados pela Saúde Pública para este tema.

Foram sistematizados 20 anos de publicações sobre o tema do aborto no Brasil, com o objetivo de, por um lado, fortalecer a agenda nacional de pesquisas sobre aborto, organizando o conhecimento disperso, e, por outro, aproximar o debate político da produção acadêmica brasileira. Foram recuperadas 2.135 fontes em Língua Portuguesa, publicadas por autores, periódicos e editoras nacionais e estrangeiros.

O relatório completo tem 315 páginas. Veja, abaixo, uma síntese dos resultados:

As Dimensões do Aborto
– Qual o perfil da mulher que aborta?
Em sua maioria, mulheres entre 20 e 29 anos, em união estável, com até oito anos de estudo, trabalhadoras, católicas, com pelo menos um filho e usuárias de métodos contraceptivos, as quais abortam com misoprostol (conhecido como © Cytotec).
– Qual a magnitude do aborto no Brasil?
. Estimativa a partir das internações por abortamento registradas no Serviço de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde – 1,5 milhões de abortos induzidos em 2005;2. Pesquisa de base populacional por método de urna – 3,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos induziram aborto (7,2% do total de mulheres em idade reprodutiva).
– Qual a idade das mulheres que abortam?
A faixa etária com maior concentração de abortos é de 20 a 29 anos, com percentuais variando de 51% a 82% do total de mulheres de cada estudo. Do total de abortos induzidos na adolescência, os estudos registram uma concentração entre 72,5% e 78% na faixa etária de 17 a 19 anos.
– Qual a religião das mulheres que abortam?
Os poucos estudos analíticos com amostras selecionadas de mulheres indicam que entre 44,9% e 91,6% do total de mulheres com experiência de aborto induzido declaram-se católicas. Entre 4,5% e 19,2% declaram-se espíritas, e entre 2,6% e 12,2% declaram-se protestantes.
– Qual a situação de conjugalidade das mulheres que abortam?
Os estudos indicam que mais de 70% de todas as mulheres que decidem abortar vivem uma relação considerada estável ou segura.
– As mulheres que abortam fazem uso de métodos contraceptivos?
Mais da metade das mulheres jovens adultas que moram nas Regiões Sul e Sudeste e que abortam declara uso de métodos, em particular a pílula anticoncepcional. No caso dos estudos da Região Nordeste, a ausência de métodos contraceptivos na ocasião da gravidez é alta, entre 61,1% e 66% em estudos com amplas amostras de base populacional.
– As mulheres que abortam têm filhos?A grande maioria tem filhos.
Apenas entre 9,5% e 29,2% de todas as mulheres que abortam não tinham filhos, um dado que leva muitos estudos a inferir que o aborto é um instrumento de planejamento reprodutivo importante para as mulheres com filhos quando os métodos contraceptivos falham ou não são utilizados adequadamente.
OS ESTUDOS NÃO MOSTRAM como se aborta nas clínicas privadas, com leigas ou parteiras. Não há estudos sobre como as mulheres têm acesso aos instrumentos abortivos, em particular de quem compram ou recebem o misoprostol ou os chás; não há estudos sobre quais os recursos abortivos e práticas adotados pelas mulheres rurais e indígenas; não há estudos sobre qual o impacto da raça na magnitude, na morbidade e na experiência do aborto induzido; não há estudos sobre como as desigualdades regionais são refletidas na morbidade do aborto induzido ilegalmente; não há estudos sobre como indicadores de desigualdade social (classe social, geração, raça, deficiência) atuam na decisão de uma mulher por induzir um aborto; não há estudos sobre como mulheres em situação de violência sexual doméstica decidem pelo aborto; não há estudos sobre como a epidemia do HIV/aids se relaciona com a prática do aborto. Há poucos estudos sobre o universo simbólico das mulheres que abortam, sobre o processo de tomada de decisão e o impacto em sua trajetória reprodutiva ou em seu bem-estar. Os estudos sobre assistência à saúde e mulheres em situação de abortamento induzido são raros, e há poucas pesquisas sobre os serviços de aborto legal.
Práticas de Aborto
– Como as mulheres realizam o aborto?
Entre as mulheres que declaram haver induzido o aborto, os estudos dos anos 1990 e 2000 indicam que entre 50,4% e 84,6% utilizaram o misoprostol, havendo maior prevalência do uso dessa substância no Nordeste e Sudeste.
– Como as mulheres abortavam nos anos 1980?
Os estudos de meados dos anos 1980 registram entre 10% e 15% de uso de medicamentos como método abortivo e altas taxas de morbimortalidade por aborto induzido. Métodos encontrados nos estudos dos anos 1980, como venenos, líquidos cáusticos ou injeções, passaram a ser inexpressivos nos relatos das mulheres dos anos 1990, após a disseminação do misoprostol.
– Como as mulheres finalizam o aborto?
Para as mulheres que finalizam o aborto nos hospitais, é nas primeiras 24 horas pós-uso do misoprostol que se busca um hospital público. Em geral, os sintomas são dores abdominais e sangramento.
– Qual o quadro de saúde de uma mulher que iniciou o aborto em casa com misoprostol?
Entre 70% e 79,3% delas chegam com dores abdominais e sangramentos, sendo diagnosticado o abortamento incompleto. Entre 63% e 82% delas estão com até 12 semanas de gestação. O tempo de internação é de 1 dia entre 30% e 85,9% das mulheres incluídas nas pesquisas. Entre 9,3% e 19% apresentam sinais de infecção.
Adolescência
– Quem são as adolescentes que abortam?
Predominantemente, adolescentes entre 17 e 19 anos, em relacionamento conjugal estabelecido, dependentes economicamente da família ou do companheiro, as quais não planejaram a gravidez e abortam com misoprostol.
– Qual a magnitude do aborto na adolescência?
Em relação à primeira gravidez, os estudos com amplas amostras de base populacional indicam que entre 60% e 83,7% das adolescentes não pretendiam engravidar. Porém, estudos com adolescentes puérperas indicam que entre 12,7% e 40% delas tentam o aborto antes de da decisão de dar prosseguimento à gestação. Estudos qualitativos sugerem que 73% das jovens entre 18-24 anos cogitam a possibilidade do aborto antes de optar por manter a gravidez.
– O que representa o aborto na adolescência no total de abortos?
O aborto na adolescência ocorre entre 7% e 9% do total de abortos realizados por mulheres em idade reprodutiva.
– Qual a situação conjugal de uma adolescente que aborta?
A maior parte das gestações e dos abortos aconteceu em relacionamentos conjugais estabelecidos. Apenas 2,5% das mulheres registram a gravidez como resultado de um relacionamento eventual.
– Quais os métodos de aborto utilizados pelas adolescentes?
Os métodos abortivos utilizados pelas adolescentes são o misoprostol e chás. Mais de 50% das adolescentes em todos os estudos declararam o uso do misoprostol como método abortivo. Praticamente não há registros de métodos perfurantes ou de acesso a clínicas privadas nos estudos com adolescentes nos anos 2000.
– Qual o impacto do aborto na auto-estima da adolescente?
Um estudo avaliou o impacto do aborto e da gravidez com nascimento de filho vivo com base em indicadores de auto-estima e bem-estar. A pesquisa mostrou que 25% das adolescentes haviam engravidado novamente um ano após o aborto e que 70% das que levaram a gestação a termo haviam abandonado a escola. Exceto pelas adolescentes que induziram o aborto, todas expressaram julgamentos negativos sobre a gravidez um ano após a primeira entrevista. Além disso, houve melhora de auto-estima em todos os grupos de adolescentes entre a primeira e a última entrevista no período de um ano, mais acentuadamente no grupo de adolescentes que induziram o aborto.
OS ESTUDOS NÃO MOSTRAM como as adolescentes abortam em clínicas privadas ou com leigas; qual o impacto da decisão pelo aborto ou pelo seguimento de uma gestação na adolescência sobre o bem-estar; particularidades de raça, classe, religião e deficiência entre as adolescentes que decidem abortar; as razões que motivam uma adolescente a abortar; as negociações familiares, simbólicas e afetivas para o aborto; como o aborto definirá a adesão futura a métodos contraceptivos; o papel dos laços familiares entre mulheres para o seguimento da gestação ou para a decisão pelo aborto entre adolescentes; a relação entre epidemia HIV/aids, adolescência e aborto. São raros os estudos longitudinais comparativos entre mesmas coortes de adolescentes que interromperam a primeira gestação e de adolescentes que levaram a gravidez a termo.
Riscos do aborto inseguro
– Houve uma mudança no perfil epidemiológico do aborto inseguro no Brasil?
Os estudos de meados dos anos 1990 e 2000 passaram a registrar uma mudança epidemiológica significativa no perfil da morte materna por aborto induzido. Houve uma redução de casos, e várias pesquisas passaram a analisar a correlação entre a queda na morbimortalidade por aborto induzido e o uso do misoprostol como método abortivo em detrimento de métodos perfurantes, cáusticos ou do recurso às leigas.
– Quais os riscos do aborto inseguro nos anos 1980?
Uma pesquisa dos anos 1980 analisou as razões para a histerectomia durante o ciclo grávido-puerperal e registrou que 88% das histerectomias até 24 semanas de gestação deviam-se a aborto realizado em condições inseguras, em geral com métodos perfurantes.
– Quais os riscos do aborto por misoprostol?
Nem todas as mulheres têm acesso ao misoprostol, e a descoberta do caráter rentável do mercado ilegal do medicamento fez crescerem relatos de medicamentos adulterados. A eficácia do misoprostol para provocar o aborto depende da dose e do tempo de gestação, ao passo que os riscos associados ao medicamento dependem desses mesmos fatores e da qualidade imediata da assistência hospitalar oferecida às mulheres.
– As mulheres morrem por aborto com misoprostol?
Não há registros de morte materna por misoprostol nos estudos. Um dos consensos dos estudos sobre morbimortalidade materna por aborto é o de que o misoprostol modificou o cenário do aborto induzido no País. O uso do misoprostol em casa e o acesso imediato ao hospital para curetagem por aborto incompleto garantiram que as mulheres recebessem assistência rapidamente, reduzindo a gravidade das hemorragias ou infecções.
– As mulheres podem ser denunciadas por aborto inseguro?
Um estudo qualitativo com 11 mulheres processadas judicialmente por aborto induzido nos anos 2000 mostrou que 80% delas iniciaram o aborto com misoprostol, mas quase a metade foi denunciada à polícia pelos médicos que as atenderam nos hospitais. Muito embora a denúncia seja uma violação de princípios éticos fundamentais à saúde pública e à profissão médica, as mulheres não têm a garantia do sigilo durante a fase de hospitalização. Quase todas as mulheres do estudo foram processadas pela prática do aborto após denúncias sofridas durante o processo de hospitalização.
OS ESTUDOS NÃO MOSTRAM quais os riscos envolvidos no aborto induzido em condições ilegais para a saúde mental das mulheres. Não se sabe a magnitude das seqüelas e complicações do aborto inseguro. Não há estudos sobre o universo rural, nem sobre as práticas e os riscos envolvidos nos métodos abortivos. Não se conhecem os riscos do aborto em clínicas privadas. Os estudos mostram pouco sobre os riscos de seqüelas para o feto envolvidos no uso do misoprostol para aborto induzido. Os estudos de morbidade near miss (quase mortalidade) indicam que o aborto induzido se mantém como uma causa importante de morbidade materna, o que necessita ser monitorado por novas pesquisas.
Misoprostol
– Quando o misoprostol passou a ser utilizado no Brasil como método abortivo?
É no início dos anos 1990 que os estudos identificam uma mudança nos métodos abortivos entre as mulheres: clínicas privadas, leigas, injeções e instrumentos perfurantes são substituídos pelo misoprostol (conhecido como © Cytotec). A entrada do misoprostol no mercado brasileiro é objeto de especulação nos estudos: há quem considere que ele foi difundido por farmácias, há quem sugira que seu uso cresceu com a indicação obstétrica para indução de parto.
– Como o misoprostol entrou no Brasil?
O misoprostol entrou no mercado brasileiro em 1986 para tratamento de úlcera gástrica, e até 1991 sua venda era permitida nas farmácias. Esse foi um tempo suficiente para a divulgação do medicamento como um método abortivo eficiente, mais barato que as clínicas privadas e com menores riscos à saúde da mulher. Um estudo de início dos anos 1990 mostrou que o preço médio do misoprostol era de US$6, ao passo que um aborto em clínica privada custava US$144 e o uso de uma sonda por leiga, US$42. Não há estudos que descrevam os custos atuais de cada método.
– Por que as mulheres preferem abortar com o misoprostol?
Foram identificadas três razões pelas quais as mulheres optavam pelo aborto com misoprostol: privacidade, segurança e recusa ao aborto em clínicas privadas. Os estudos dos anos 2000 apresentam tendência semelhante nas razões que motivam as mulheres a escolher o misoprostol como método abortivo.
OS ESTUDOS NÃO MOSTRAM como as mulheres abortam com misoprostol em casa; como elas têm acesso ao medicamento; e em quais doses e com quais intervalos a utilizam. Não há estudos por região sobre o uso do misoprostol e a morbidade associada ao aborto induzido. Não se conhecem a eficácia abortiva do misoprostol combinada com outros métodos abortivos tradicionais, em especial chás e ervas. Não há estudos sobre a qualidade da assistência oferecida às mulheres em situação de abortamento. São raros os estudos prospectivos para avaliar o desenvolvimento do feto de mulheres que utilizaram o misoprostol sozinho ou combinado com outros métodos e não abortaram. Não há pesquisas sobre o impacto ético nas mulheres do diagnóstico de má-formação fetal pelo uso indevido do misoprostol como método abortivo.
Metodologia e Financiamento
– Qual o objetivo da pesquisa?
Sistematizar 20 anos de publicações sobre o tema do aborto no Brasil. O objetivo foi, por um lado, fortalecer a agenda nacional de pesquisas sobre aborto, organizando o conhecimento disperso, e, por outro, aproximar o debate político da produção acadêmica brasileira.
– Qual o principal resultado?
O resultado foi a recuperação de 2.135 fontes em Língua Portuguesa, publicadas por autores, periódicos e editoras nacionais ou estrangeiros. O Relatório “Aborto e Saúde Pública: 20 anos de pesquisas no Brasil” apresenta a síntese dos resultados e conjunto das fontes.
– Como foi feita a pesquisa?
Todas as fontes foram avaliadas pelos títulos e resumos e aquelas que indicavam conter pesquisas com dados primários ou secundários foram selecionadas para análise integral. Foram pesquisadas 88 bases de dados bibliográficos. A metasíntese apresentada neste relatório foi resultado de uma análise em profundidade de 398 fontes, o que corresponde ao universo das fontes com pesquisas empíricas sobre aborto, aqui denominadas “estudos com evidência”. A equipe de pesquisa responsável pelo projeto não emitiu qualquer julgamento de valor na recuperação e seleção das fontes.
– Quem patrocinou a pesquisa?
O projeto que deu origem a este relatório foi financiado pelo Ministério da Saúde por meio do Termo de Cooperação e Assistência Técnica ao Ajuste Complementar - BR/CNT/07/00467.001 com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde.
– Quem executou a pesquisa?
A pesquisa foi executada por pesquisadores da Universidade de Brasília e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A coordenação foi de Debora Diniz e Marilena Corrêa.
– Em quanto tempo a pesquisa foi realizada?
O projeto de pesquisa foi executado entre setembro e dezembro de 2007. A data-limite de recebimento das fontes para a análise foi 1º de dezembro de 2007.

sábado, 3 de maio de 2008

Sociedade Simples - Solidariedade Mecânica




Amish adotam vida simples e evitam tecnologia - 03/01/2006
À primeira vista, muitos amish parecem ter saído de uma comunidade rural do século 19.

Os mais conservadores destes grupos de pessoas reclusas e religiosas usam carroças ao invés de carros. Vários deles não têm telefone ou eletricidade em suas casas.

Seus filhos são enviados a escolas privadas, com uma única sala, até os 13 anos de idade.

Eles evitam usar tecnologia e defendem o isolamento em relação ao mundo moderno. Não fazem serviço militar e nem aceitam ajuda do governo.

A comunidade Amish em Lancaster County, na Pensilvânia, serviu de modelo para o filme A Testemunha, estrelado por Harrison Ford, em 1985. O filme mostrou o contraste do violento mundo moderno com a existência pacífica desta comunidade.

Os amish enfrentam alguns dos mesmos problemas de outras comunidades, mas são mais reservados.

Normas rigorosas

Cerca de 200 mil amish vivem em mais de 20 estados americanos e na província canadense de Ontário. Os Amish são seguidores de um ramo ultraconservador do cristianismo.

O grupo mais antigo, Old Order Amish (Velha Ordem Amish), tem de 16 mil a 18 mil integrantes, e vive em Lancaster County, uma área agrícola onde os amish se estabeleceram por volta de 1720. Vários fugiam de perseguição religiosa na Europa.

Os amish se dividem em dezenas de irmandades separadas, divididas em distritos e congregações. Cada distrito é totalmente independente e vive de acordo com suas próprias regras não-escritas, ou Ordnung.

O grupo Old Order tem normas rigorosas para vestimenta, comportamento e uso de tecnologia que, eles acreditam, encorajam humildade e sua separação do resto do mundo.

As mulheres deste grupo vestem roupas modestas com mangas compridas e saias longas, touca e avental. Elas nunca cortam os cabelos, que prendem em um cóque na nuca. Em algumas comunidades não é permitido usar roupas com botões.

Homens e meninos usam ternos de cor escura, e chapéus de aba larga negros ou de palha. Eles deixam a barba crescer depois de casados.
A tecnologia moderna não é totalmente rejeitada. Em algumas fazendas há telefones e grupos locais podem permitir eletricidade em determinadas circunstâncias.
A maioria dos amish é trilíngüe. Eles falam um dialeto de alemão chamado holandês da Pensilvânia, alemão em seus serviços religiosos e aprendem inglês na escola.

De certa forma, os amish estão sentindo as pressões do mundo moderno.

Analistas dizem que leis referentes ao trabalho infantil, por exemplo, estão ameaçando formas de vida estabelecidas há muito tempo.

Embora muitos amish possuam armas de fogo para caçar e matar animais selvagens, até agora suas comunidades não têm sofrido com crimes violentos.

Durkheim I

Aula sobre Durkheim com o professor Paulo Ghiraldelli Jr.

Durkheim II

Aula II sobre Durkheim com o professor Paulo Ghiraldelli Jr.

Determinismo genético e Socialização

Pesquisa polêmica é abordada no Fantástico
28/01/2008

Vinicius Donola, repórter

O que se passa na cabeça de um ser humano que é capaz de tirar a vida do outro? Será que os atos de extrema violência e barbárie são cometidos por mentes que nascem doentias? Ou não? São as mentes que adoecem com os traumas da vida, com a violência em casa, na rua.

"Esse cérebro desse delinqüente, ele sofreu, ele mudou, ele é diferente? Vamos investigar", diz Mirna Portuguez, neuropsicóloga da PUCRS.

Essa é a proposta dos cientistas de duas grandes universidades do Rio Grande do Sul. Usar exames de alta tecnologia para mapear o cérebro de um grupo de jovens. Todos envolvidos em ações violentas."O objetivo é conhecer um pouco melhor como a estrutura cerebral pode, eventualmente, estar envolvida nesses processos que geram violência", explica Jaderson Costa, pesquisador também da PUCRS.

Mas a reação da comunidade científica foi imediata."Estamos tratando de pessoas. Adolescentes. Não são ratos, não são macacos. São pessoas”, acusa Ana Luiza de Souza Castro, psicóloga, do juizado de menores do Rio Grande do Sul.

Sociólogos, educadores, advogados também assinaram um manifesto. Afirmam que a pesquisa mascara o que chamam de "velhas práticas de extermínio e exclusão". Os idealizadores do estudo se defendem."É lamentável, porque nós não estamos fazendo nada além do que ampliar a informação sobre o assunto. A quem interessa proibir isso?", Osmar Terra, secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

Esta semana, o Fantástico conheceu o lugar onde vivem os jovens que podem ser alvo da pesquisa. A antiga Febem, na capital gaúcha, onde há 680 internos. Menores que foram detidos por roubo, tráfico e homicídio.Os pesquisadores de Porto Alegre querem examinar 50 jovens, entre 15 e 21 anos, numa máquina que faz a ressonância magnética funcional. Ela mostra o cérebro em funcionamento. Com este exame, o grupo de cientistas espera descobrir o que há de diferente no cérebro de um jovem homicida.

Dentro da máquina, os jovens serão submetidos a seqüências de imagens e sons violentos. Usando a ressonância, os neurocientistas esperam comprovar uma suspeita. A de que os homicidas têm partes do cérebro atrofiadas, reduzidas de tamanho. A mais importante delas é o lobo-frontal. É ele que controla os nossos impulsos.Na teoria, uma pessoa com atrofia do lobo-frontal tem mais dificuldade para conter seus instintos. Um traço que seria típico do comportamento assassino.

Aí, vem a crítica:"Bom, se for identificado no cérebro do sujeito que ele tem lá uma tendência para um comportamento violento, como que nós vamos controlar isso? Nós vamos medicar essa pessoa? Nós vamos colocar ele dentro de algum lugar?", questiona Karen Eidelwein, do Conselho de Psicologia do Rio Grande do Sul.

Nós vamos usar essa informação para procurar alternativas de prevenção e até curativas, se possível, tratar esses indivíduos. Repor essas necessidades que eles têm no momento", diz Mirna Portuguez, neuropsicóloga da PUCRS.Um outro passo da pesquisa também está gerando polêmica. Especialistas em genética querem colher amostras de sangue dos jovens que mataram, para exames de DNA.

A pergunta é: será que alguns de nós nasceram predispostos para a violência?"Pessoas violentas, talvez, um bom número delas, apresentam variações nos genes que as tornaram frágeis. Elas sofrem mais, e, como resposta ao sofrimento, acabam desenvolvendo comportamentos mais violentos em função do que sofreram", é o que diz o geneticista da UFRGS, Renato Flores.

"A história sabe como tem acabado esse tipo de ciência. De alguma forma, me lembra os tipos criminosos de Cesare Lombroso", diz Ana Luiza.Lombroso foi um médico italiano que viveu no século 19. Ele acreditava que determinadas medidas do corpo, como o tamanho da mandíbula e os contornos do crânio indicavam se uma pessoa nascia com propenção para a delinqüência.

Mais tarde, os nazistas se apropriaram da obra de Lombroso e mandaram milhares de pessoas para campos de concentração, com base nas medições cranianas."Não podemos utilizar alguns argumentos do passado sobre erros cometidos, ou de interpretação, ou de atuação, de terapêutica, etc. Misturar isso com essa pesquisa", rebate Jaderson.

A pesquisa só pode começar depois de a proposta ser analisada por uma comissão científica de professores universitários e por um comitê de ética.O Juizado de Menores ainda não informou se vai ou não permitir o estudo com os jovens da antiga Febem. Só serão examinados voluntários, com autorização dos pais.

"Acho que tem implicações éticas que merecem uma discussão, que é o que está acontecendo", finaliza Ana Luiza.

Fonte: Globo.com

Vídeo com a reportagem: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM782124-7823-CIENTISTAS+QUEREM+PESQUISAR+MENTES+CRIMINOSAS,00.html
Professor que disse que QI de baiano é baixo é alvo de críticas
José Eduardo Rondon e Renata Baptista - 01/05/2008


"O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), classificou ontem como um ‘surto de imbecilidade’ as declarações do coordenador do curso de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Antônio Natalino Dantas, 69, sobre o mau desempenho dos alunos de medicina da instituição no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes).

Os alunos obtiveram conceito 2 e ficaram entre as quatro últimas faculdades públicas avaliadas. Dantas, que é baiano, creditou anteontem o mau resultado ao ‘baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos’. Afirmou ainda que ‘o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria’.

Ontem, Dantas disse que as declarações foram um ‘desabafo’, mas não negou o que disse (leia mais nesta página).

Jaques Wagner, que nasceu no Rio de Janeiro, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que as afirmações de Dantas são ‘de uma imbecilidade ímpar, condenáveis sob todos os aspectos e traduzem um preconceito profundo contra o povo baiano’.
Providências

O reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, 56, disse que as afirmações de Dantas são ‘racistas, oligárquicas e reacionárias’. ‘Estou indignado. Foi uma das coisas mais lamentáveis que já vi. Representa uma posição racista, oligárquica, anacrônica e reacionária.’
Baiano de Buerarema (462 km de Salvador), o reitor declarou que solicitou ‘providências’ à

Faculdade de Medicina. ‘Eu não posso demiti-lo, a faculdade tem autonomia. Mas com essas posições ele não tem condições de continuar ocupando o cargo.’

Entre as hipóteses para o mau desempenho, Almeida Filho disse que pode ter havido um boicote dos alunos. ‘Há uma posição política dos alunos contra [o Enade].’

O diretor da Faculdade de Medicina da UFBA e presidente da congregação da instituição, José Tavares Neto, disse que ‘é favorável à democracia e à liberdade de expressão’.

De acordo com Tavares Neto, que afirmou discordar das declarações do professor, ‘a medicina é um curso que prega o combate ao preconceito, e por isso a atitude do professor será analisada’.
Em nota, o Damed (Diretório Acadêmico de Medicina) da UFBA disse que, ‘além de racista, o professor [Dantas] se mostrou tecnicamente incapaz de exercer seu cargo’.

Baiano de Irará (145 km de Salvador), o músico Tom Zé, 71, afirmou que ‘as escolas e universidades é que estão funcionando com um QI muito baixo, retrógrado, do passado’.

Para ele, as declarações são uma ‘piada’. ‘Uma coisa como essa não se pode nem condenar. Não vamos dar a ele [Dantas] o prazer de xingá-lo.’
Investigação

O Ministério Público Federal na Bahia decidiu ontem investigar as declarações do coordenador do curso.

Um procedimento administrativo foi aberto pelo procurador da República Vladimir Aras, que considerou as opiniões de Dantas discriminatórias em termos de raça e procedência.

Segundo a Procuradoria, a lei de improbidade administrativa pode ser aplicada ao coordenador, caso seja comprovado que houve dano moral. O procurador já questionou a direção da universidade sobre quais providências serão tomadas em relação a Dantas."

Coordenador diz que fez apenas um ‘desabafo’

"Um dia após atribuir ao ‘baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos’ o mau desempenho dos alunos de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o coordenador do curso, Antônio Natalino Dantas, afirmou ontem que suas declarações foram um ‘desabafo’, mas não negou o que disse.

Ele afirmou ter passado um ‘dia de cão’ ontem. Disse ter recebido trotes e ter sido aconselhado a não sair de casa. Dantas reconheceu que os alunos foram recrutados por um vestibular qualificado, mas que ‘eles são acostumados a avaliação de múltipla escolha, diferentemente do sistema do Enade’.

O professor negou ser racista. ‘Até a Hitler me compararam.’ O coordenador contou que tentou dar aulas ontem, mas foi cercado por jornalistas.

‘Alguns [repórteres] distorceram maldosamente o que eu disse, fazendo parecer que sou fascista’, afirmou.

Dantas, que anteontem disse que baiano ‘só toca berimbau porque só tem uma corda’, afirmou não gostar do instrumento, mas que passou a vê-lo ‘com mais simpatia’.

Ele disse ainda que está fazendo aulas de teclado no curso livre de música da UFBA, ‘onde convive com professores baianos e afrodescendentes altamente qualificados’.

Em entrevista à Folha anteontem, o professor disse que fez cursos de pós-graduação em São Paulo e que as pessoas não acreditavam que ele era baiano por causa de sua competência e de sua cor."

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Determinismo Genético e Cultura

Na Bahia, coordenador atribui resultado a “baixo QI dos baianos” - 30/04/2008
RENATA BAPTISTA da Agência Folha da Folha de S.Paulo, em Brasília

O Ministério da Educação divulgou ontem a lista dos 17 cursos de medicina que serão supervisionados por causa das baixas notas dos seus alunos no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Para o coordenador do curso de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Antônio Dantas, 69, o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) se deve ao “baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos”.Os alunos de medicina da UFBA obtiveram conceito dois no exame. “Se não houve boicote dos estudantes, o que não acredito, o resultado mostra a baixa inteligência dos alunos.”

Para Dantas, que é baiano, o corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado no exame. O coordenador disse que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado “por quem convive [com pessoas nascidas na Bahia]“.
“O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”, afirmou, ressalvando que há exceções a sua regra.

Questionado se já foi alvo de críticas, Dantas disse que é “franco” e que “reconhece a limitação dos que o cercam”. Ele afirmou que não foi notificado pelo MEC sobre os resultados e que vai analisar os erros dos alunos assim que recebê-los.

A diretora da Faculdade de Medicina da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Rosana Vilela, disse que uma possível explicação para o baixo rendimento dos alunos de medicina (conceito dois) foi a mudança no currículo em 2006.
“A nota [do Enade] é construída basicamente em cima da nota do concluinte, que é o aluno do currículo antigo, sendo que a prova é feita baseada nas novas diretrizes que norteiam o currículo novo”, disse.

A UFPA (Universidade Federal do Pará) –que recebeu conceito dois- informou, em nota, que só se pronunciará sobre a avaliação quando for notificada. Na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), ninguém foi localizado para comentar a nota do Enade.
Boicote

Para Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais), é provável que o desempenho ruim de quatro cursos de medicina de universidades federais no Enade seja resultado de um boicote dos estudantes.
“Chama a minha atenção a situação da UFBA, que tem condições de oferta de ótima qualidade”, afirmou.

Ele citou ainda o fato de a universidade ser considerada tradicional –ela abriga o primeiro curso de medicina criado no Brasil, no ano de 1808. Para Ciloni, embora não seja um fator decisivo para o desempenho dos estudantes, um dos maiores problemas dos cursos de medicina das instituições federais hoje é a dívida dos hospitais universitários.

O débito –que, segundo ele, já soma R$ 450 milhões– dificulta a modernização dos equipamentos, disse. A Folha procurou a Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), mas ninguém ligou de volta até o fechamento desta edição.

Colaboraram SÍLVIA FREIRE, da Agência Folha, e KÁTIA BRASIL, da Agência Folha, em Manaus

Cultura e Socialização

Mulher é encontrada depois de viver 19 anos na floresta

Uma mulher que desapareceu aos oito anos de idade foi encontrada 19 anos mais tarde vivendo como um animal na floresta, de acordo com a polícia do Camboja.

Os policiais afirmam que a moça é "meio humana e meio animal" e não fala nenhuma língua inteligível.

Ela seria Rochom P'ngieng, uma menina que desapareceu quando tocava uma manada de búfalos perto da floresta virgem que ocupa a fronteira norte do Camboja, na província de Rattanakiri.

O pai da mulher teria a identificado a partir de cicatrizes e está disposto a realizar testes de DNA para comprovar que ela é a filha desaparecida.

No entanto, o correspondente da BBC em Phnom Penh, Guy De Launey, diz que existem outras possibilidades para a identidade da moça.

Pessoas de tribos que moram nas montanhas do vizinho Vietnã comumente entram no Camboja pela floresta, segundo Launey.

Muitos tentam buscar asilo por motivos de perseguição religiosa e evitam qualquer contato com as autoridades.

De acordo com a polícia cambojana, a mulher foi descoberta quando um morador da região percebeu que a comida dele estava desaparecendo.
"Ele viu uma mulher nua, que parecia selvagem, na espreita para roubar o arroz dele."

O homem e alguns vizinhos então capturaram a mulher, que teria sido reconhecida pelo pai por causa de uma cicatriz no braço direito.

Um policial disse que quando a viu, ela estava nua e "andava curvada para a frente como um macaco. Ela era pele e osso".

Ele afirmou ainda que a moça tremia e catava grãos de arroz do chão para se alimentar.
Aparentemente, a família da mulher a vigia atentamente, já que ela já teria, em várias ocasiões, arrancado as roupas e tentado fugir para a floresta.

Fonte: BBC Brasil.com - 19 de janeiro, 2007 - 11h25 GMT (09h25 Brasília)

Aborto como Fato Social II

Opção por aborto não tem relação direta com a pobreza, diz antropóloga
01/05/2008 - 18h32

Quanto maior a renda e a escolaridade, maiores as chances de a primeira gravidez resultar em aborto entre mulheres de 18 a 24 anos. A conclusão foi apresentada no relatório Aborto e Saúde Pública que reuniu resultados de mais de 2 mil pesquisas sobre o tema realizadas no Brasil nos últimos 20 anos.

Segundo a antropóloga Débora Diniz, uma das coordenadoras do relatório, dados obtidos a partir da pesquisa Gravidez na Adolescência, feita em Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro com financiamento da Fundação Ford, em 2003, mostram que a opção pelo aborto não tem relação direta com a pobreza.

"Não há correlação imediata de que a pobreza é o que leva à decisão pelo aborto. São decisões sobre planejamento reprodutivo, concepções de família, concepções de vida, de inserção no mundo do trabalho, que levam as mulheres a essa tomada de decisão", avaliou.

Para Diniz, a pesquisa que abordou fatores associados ao aborto como desfecho da primeira gestação é uma das mais importantes do cenário brasileiro sobre o tema, tanto pelos resultados apresentados quanto pela metodologia utilizada que contemplou consultas domiciliares.

Segundo ela, embora o foco geral do estudo tenha sido a adolescência, os resultados se aplicam às mulheres de uma maneira geral, já que incluem a faixa etária até 24 anos.

Fonte: Adriana Brendler
Da Agência Brasil

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Relatório reafirma necessidade de planejamento familiar e acesso a contraceptivos: http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/05/01/ult23u2139.jhtm

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Comportamento

Quatro em cada dez filhos não foram planejados
20/04/2008 - 02h30

Mais de 50 anos após a invenção de pílula anticoncepcional, quatro em cada dez gestações ocorridas no Brasil não foram planejadas, revela pesquisa Datafolha cujos resultados estão em reportagem de Antônio Gois, na edição deste domingo da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do UOL ou do jornal).

De acordo com a reportagem, embora a situação seja mais comuns entre os jovens (56%) e entre os mais pobres (44%), dos que estão no topo da pirâmide social, 34% tiveram os filhos sem planejamento. E os percentuais seriam ainda maiores se fossem consideradas aquelas gestações que acabaram em aborto --elas não foram contabilizadas pela pesquisa.

O texto afirma que o Datafolha perguntou também a pais e mães: "Se pudesse voltar no tempo, você teria o mesmo número de filhos, mais, menos ou nenhum?" A maioria dos entrevistados (60%) afirmou que faria escolhas diferentes: 24% teriam menos filhos, 21% teriam mais e 15% não teriam filhos, segundo a Folha.

Fonte: Folha On-line

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Justiça manda polícia interrogar 10 mil mulheres sobre aborto em MS: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u389372.shtml

Aborto como Fato Social

Maioria das brasileiras que aborta é católica, diz estudo
01/05/2008 - 18h13

Uma pesquisa realizada pela UnB (Universidade de Brasília) e pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revelou que a maioria das brasileiras que aborta é católica --de 51% a 82% do total de 3,7 milhões. A maioria delas tem entre 20 e 29 anos e já são mães.

"Para a massa, que a vê [a Igreja Católica] como um meio de conforto, e não como uma cartilha dogmática, ela não é suficiente para as mulheres mudarem sua decisão", opina a pesquisadora da UnB Débora Diniz.

Para ela, a conclusão não surpreende, já que grande parte dos brasileiros se diz católica. Em segundo lugar ficaram espíritas (4,5% a 19,2%) e, em terceiro, evangélicas (2,6% e 12,2%).

Para os autores do levantamento, o alto número de abortos feitos por mulheres que já têm filhos (entre 70,8% e 90,5%) reforça a tese de que o aborto seria medida de planejamento reprodutivo, empregado em último caso, quando os outros métodos contraceptivos falharam. "Ao contrário do que se imagina, essa não é uma solução para a gravidez indesejada de uma mulher que desconheça o sentido da maternidade", afirma a pesquisadora.

Outro dado que corrobora essa tese é o uso de métodos contraceptivos pelas mulheres que interromperam a gravidez. Segundo a pesquisa, mais de 50% das que abortaram nas regiões Sul e Sudeste usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. Já na região Nordeste, a porcentagem oscila entre 34% e 38,9%.

Cytotec

O medicamento de venda controlada misoprostol, o Cytotec, é o abortivo mais comum, de acordo com a pesquisa. Indicada para problemas gástricos, a substância foi usada por até 84% das mulheres que fizeram abortos de 1997 a 2007. Na década de 80, medicamentos eram usados como métodos abortivos apenas entre 10% e 15% dos casos.

"Nos anos 80, tínhamos mulheres perdendo o útero e com processos infecciosos graves. Com a entrada do misoprostol, o período de internação e as seqüelas associadas ao aborto diminuem consideravelmente no cenário brasileiro", disse a pesquisadora.

Diniz destacou, no entanto, que pílulas compradas por meio de traficantes têm autenticidade questionável e que as subdoses --decorrência do uso sem orientação médica-- implicam em atendimento médico para completar o abortamento e reações como hemorragias e dores.

Fonte: Folha On-line
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Manifestantes realizam ato contra aborto na praça da Sé: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u387082.shtml

sábado, 12 de abril de 2008

Augusto Comte e o Positivismo

Vídeo sobre Positivismo.

Marxismo I

Aula sobre Marxismo com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.

Marxismo II

Aula sobre Marxismo com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.

Marxismo III

Aula sobre Marxismo com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.



Assista a cena do Filme "Tempos Modernos" na Tv Virtual